segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Marina joga bolinha de papel na própria cabeça para se fazer de vítima.

http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,marina-se-diz-atacada-por-ser-filha-de-pobre-preta-e-evangelica,1560003
A candidata Marina Silva (PSB) parou de falar sobre seu programa de governo demotucano que gera desemprego e arrocho nos salários e aposentadorias, para ficar falando só de si mesma, se fazendo de vítima.

A última foi dizer que "é atacada por ser filha de pobre, preta e evangélica".

O problema é que ninguém (nem Aécio) atacou ela dessa forma deplorável e preconceituosa.

Pelo contrário, todo mundo repudia esse tipo de ataque. Dilma e Lula são insuspeitos, porque vivem e governam voltados para a dignidade dos mais pobres e para superar a pobreza. Porque combatem o racismo com todas as ações possíveis, e tratam com igual respeito todas as religiões. Aécio também não ataca nos termos ditos por Marina, porque seria politicamente incorreto.

Marina é que está trazendo para a campanha eleitoral estes preconceitos pela primeira vez.

Então é ela quem está espalhando um discurso preconceituoso contra si mesma, e querendo colocar a culpa nos outros.

Equivale a quem finge ser agredida para dar queixa contra uma pessoa inocente que ela quer prejudicar.

Simulações de agressões para colocar culpa em adversários não é novidade em campanhas eleitorais. Em 2010 José Serra (PSDB-SP) foi atingido pela bolinha de papel e se internou em hospital particular de um médico amigo "para tirar uma tomografia da cabeça", como se tivesse sido atingido por um objeto pesado, para culpar quem protestava contra ele.

Não colou porque os vídeos só comprovaram que o tucano foi alvejado apenas pela bolinha de papel. O Jornal Nacional da TV Globo tentou contratar um perito para salvar Serra, e foi um vexame.

Agora, a declaração auto-preconceituosa de Marina é como se ela atirasse uma bolinha de papel na própria cabeça para colocar a culpa nos oponentes.

Marina está fugindo ao debate

Dilma faz o bom debate sobre dois caminhos diferentes de governar. E esse debate precisa ser feito para o eleitor saber no que está votando e decidir, nada tendo a ver com ataques pessoais ou baixarias.

Um é o jeito de Dilma e de Lula de elevar todo brasileiro para a classe média para cima, na renda, na escolaridade, na qualidade de vida. Outro jeito é o que está está escrito no programa de governo de Marina e que Aécio, como bom tucano, assinaria embaixo, dando plenos poderes à mão invisível do mercado, reduzindo direitos coletivos do cidadão e dando mais poderes aos bancos.

Baixarias são as desqualificações que Marina tenta fazer dos 12 anos de governo de Dilma e de Lula.

Janio de Freitas: Agressividade de Marina vem com mentiras e ofensas

Uma campanha indigna
Ainda que não seja novidade nas disputas pela Presidência, o pugilato verbal entre os atuais candidatos veio surpreender. Não se esperava que a campanha se fizesse por troca de agressões, e, sobretudo, não se imaginaria um nível tão baixo do teor político contido nessa agressividade.

A violência verbal não é novidade em termos. Na democracia anterior ao golpe de 64, nas quatro eleições presidenciais houve muita agressividade, mas toda por conta de não candidatos à Presidência. Entre os disputantes, prevaleceu, sempre, a concepção de que pretendentes à Presidência não podiam mostrar-se ao eleitorado sem a compostura apropriada ao cargo.

Getúlio nunca citou o brigadeiro Eduardo Gomes nem foi por ele citado. O mesmo se passara entre o general Dutra e o brigadeiro. O general Juarez Távora fez campanha até raivosa, e Juscelino se ocupou dos seus planos para fazer "50 anos em 5", sem referencia direta entre eles. Jânio fez campanha de fortes insinuações contra tudo o que lembrasse o governo Juscelino, representado na candidatura do general Lott, mas nunca o fez de modo explícito e nominal.

Ditadura militar por 21 anos é, na cultura política, o mesmo que a demolição acelerada de uma edificação construída durante séculos, como as velhas catedrais. Em 1989, a primeira eleição direta da nova democracia retrata, em tudo, os efeitos da demolição feita pela ditadura. Fica muito bem em Collor a personificação da campanha sem ética política e sem compostura pessoal, com variados modos de violência, não só verbal.

Até que chegasse ao vitorioso "Lulinha paz e amor", Lula preencheu três campanhas com irada pregação da temática petista. Sem agressões a Fernando Henrique, cujas condições nas duas disputas dispensavam embates diretos, que nem fariam o seu gênero. O mesmo se deu entre Lula e Alckmin. Mas não com Serra, que se permitiu, contra Lula e contra Dilma, desde diferentes modalidades agressivas até armações com ajuda de terceiros.

Por aí se chegou à atual campanha sem imaginar que o candidato da simpatia, herdeiro de uma prática política sempre elevada, passageiro de uma vida alegre, não fosse isso mesmo como candidato à Presidência. Ainda com Eduardo Campos, os dois fizeram um acordo de mútua preservação que deu o sinal: as farpas logo voaram de um lado e de outro. Dilma e o governo já estavam na mira, mas de tiros políticos.

O que os céus fizeram por Marina tomaram de Aécio, na queda do avião. E, pior, trouxeram-lhe a suposição de se salvar pela agressividade contra a nova concorrente. E logo também contra a antiga. Aécio Neves foi o disparador da deterioração da campanha em que a perda de escrúpulos é crescente.

Não se imaginava que a Marina Silva tão contida, como se toda travada por poderosas forças interiores, ou, sabe-se lá, celestiais ("Deus não quis que eu estivesse naquele avião"), fosse capaz de tamanha desinibição para dizer coisas como esta raridade: "Um partido que coloca por 12 anos um diretor para assaltar os cofres da Petrobras". "Para assaltar"? A desonestidade dessa afirmação, feita em sabatina há três dias no "Globo", não tem limite nem para trás...

Funcionário de carreira, Paulo Roberto Costa fez sua ascensão na Petrobras durante o governo Fernando Henrique, nomeado então para sucessivos postos e funções relevantes, que vieram a culminar no governo Lula. É um mistério o momento em que começou sua corrupção. Mas há a certeza de que, a não ser para Marina, nenhum partido e nenhum governo dos dois presidentes promoveu Paulo Roberto Costa "para assaltar".

Diante de tamanha e perversa difamação, não surpreende a facilidade com que Marina diz inverdades bondosas a seu respeito, atribuindo-se votos, pareceres e projetos no Senado que o Senado nunca ouviu ou leu. Sua agressividade tem este componente adicional: a inverdade. O que aquela sabatina tornou ainda mais perceptível (e registrado jornalisticamente).

Mas de Dilma, a "durona", a "gerentona", esperava-se que ao menos confirmasse a maneira como a imprensa a descreve. A surpresa que lhe cabe vem, no entanto, do oposto: é a menos ofensiva, tanto no sentido de ataque como de insulto. Tem preferido dar respostas, algumas duras e outras irônicas. Sem conseguir, porém, tornar menos deplorável esta campanha indigna de uma disputa pela Presidência da República.


 Por: Janio de Freitas, colunista e membro do Conselho Editorial da Folha
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Do Blog Os Amigos do Presidente Lula.

Três pesquisas serão divulgadas essa semana

Istituto Vox Populi divulga levantamento sobre a disputa presidencial hoje à noite, no Jornal da Record; Ibope deve ser divulgada nesta terça-feira 16 e Datafolha a partir de quinta-feira; as duas últimas pelo Jornal Nacional, da TV Globo.

Novas pesquisas eleitorais serão divulgadas e agitam o mercado nesta semana, segundo apontam os registros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A pesquisa Vox Populi será divulgada hoje à noite no Jornal da Record; já o Ibope terá sua pesquisa divulgada na próxima terça-feira (16) e o Datafolha terá seu levantamento revelado na próxima quinta-feira. Tanto o Ibope quanto o Datafolha serão revelados no Jornal Nacional, na Rede Globo.

O Vox Populi realizou entrevista com 2 mil eleitores entre os dias 13 e 14 de setembro a ser divulgado pela TV Record. Além de perguntas estimuladas sobre as intenções de voto para presidente, também foram feitos questionamentos sobre a avaliação de governo da atual presidente, Dilma Rousseff. A pesquisa foi registrada com o número de protocolo BR-00632/2014.

Enquanto isso, o Ibope teve levatamento contratado pela TV Globo e pelo jornal O Estado de S. Paulo. A pesquisa foi feita com 3.010 eleitores entre os dias 11 e 16 de setembro e tem o número de protocolo BR-00657/2014. Confira o questionário clicando aqui.

Por fim, o Datafolha irá a campo para entrevistar 5.362 eleitores entre os dias 17 e 18 de setembro, de acordo com registro do TSE, com o número de protocolo BR-00665/2014. A pesquisa foi contratada pela Folha de S. Paulo e pela Globo. Confira o questionário clicando aqui.

Material pró-Marina chama Dilma e LGBTs de "anticristo"

Capa e contracapa do material distribuído no Rio de Janeiro.
"Deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) denuncia a distribuição de material de campanha criminoso na perfieria do Rio 

Jean Wyllys, CartaCapital

Assustador! O esgoto eleitoreiro já começa a vazar na reta final de campanha. Na zona oeste do Rio de Janeiro, um exército de fiéis recrutados como voluntários por igrejas evangélicas fundamentalistas está distribuindo um material de campanha bizarro criminoso assinado pelas campanhas de Marina Silva para presidenta, Ezequiel Teixeira para deputado federal e Édino Fonseca para deputado estadual. São milhares de revistas de 24 páginas em cores acompanhadas de um DVD com mentiras acerca de LGBTs, estimulando o ódio e a violência contra estes, além de trazer deturpações sobre as pautas dos movimentos feministas e negro para prejudicar a candidatura da presidenta Dilma. Fonseca é quem se responsabiliza formalmente pelo material, assinando-o com seu CNPJ eleitoral: 20583168000184.

Para quem está duvidando dessa sujeira, ele pode ser baixado na íntegra (o link está no final deste artigo). É o mesmo material que usarei como prova para acionar a justiça eleitoral no intuito de que essa porcaria seja apreendida e seus responsáveis sancionados de acordo com a lei.

Na capa, a revista com Fonseca, Teixeira e Marina anuncia: "Veja os planos do anticristo: nova ordem mundial contra a família e a igreja" (a palavra "Veja" é escrita com a mesma tipografia usada pela revista da editora Abril), e depois enumera: "eutanásia, mercado do feto, prostituição de menores, carícias de homossexuais em lugares sagrados...", etc.

O panfleto mistura um discurso religioso da época da Inquisição (com repetidas alusões ao "anticristo") e uma linha argumentativa que lembra a propaganda nazista contra os judeus. No caso, contudo, em vez dos judeus, o "inimigo" apontado é composto por homossexuais, prostitutas, ateus, comunistas, "abortistas", usuários de drogas e o governo Dilma. A partir dessa premissa, a publicação descreve uma conspiração satânica internacional para a criação de uma "nova ordem mundial" que pretende "se rebelar contra Deus" e "dominar a mente do povo com a legalização das drogas", acusa o governo do PT de querer legalizar a eutanásia para "matar os mais velhos" e o aborto para provocar um "extermínio" e comercializar os órgãos dos fetos abortados.

O delírio é tal que a revista traz uma tabela de preços do "mercado do feto" e diz que a legalização do aborto provocará um aumento da pedofilia, porque as meninas estupradas serão obrigadas a abortar para esconder o crime.

Nas páginas seguintes, a revista ataca a regulamentação da prostituição, relacionando-a também, com extremo cinismo e má fé, à pedofilia (como se o abuso sexual de crianças pudesse ser equiparado à prostituição exercida por pessoas adultas); diz que a criminalização da homofobia permitirá que os gays pratiquem sexo dentro das igrejas; refere-se a gays, lésbicas e transexuais como doentes mentais; ataca com argumentos igualmente toscos a proposta de legalização da maconha e até diz que existe um plano do "anticristo" para dominar a água e os alimentos.

Quase todas as páginas da publicação são dedicadas a atacar meus projetos e os de outros parlamentares progressistas e comprometidos com os direitos humanos, embora não nos mencione expressamente. O principal alvo da publicação é o governo Dilma, que seria, de acordo com a publicação, o principal representante no Brasil da “rebelião mundial comandada por Satanás”.

A publicação faz uma relação direta entre o "plano do anticristo" e as eleições de 5 de outubro: para impedir a vitória do Demônio, os eleitores deveriam votar em Marina Silva para presidenta e em Teixeira e Fonseca para os parlamentos federal e estadual. Na última página, a publicação traz uma foto em cores dos três candidatos, com a logo da campanha de Marina destacada no centro.

A pergunta é: quem pagou por tudo isso?

Eu gostaria de saber se Marina Silva sabe que seu nome está sendo usado nessa campanha suja. Fonseca é candidato pelo PEN, uma legenda de aluguel de ultra-direita que faz parte da coligação de Aécio Neves, da mesma forma que o partido Solidariedade, formado por parlamentares que decidiram sair das legendas pelas quais se elegeram, entre eles Teixeira. Ambos fazem parte, também, da coligação estadual que apoia o governador Pezão, que por sua vez é do PMDB, aliado à presidenta Dilma, mas que também faz campanha por Aécio. Contudo, Fonseca e Teixeira fazem campanha por Marina — e juntos, apesar de suas candidaturas proporcionais não estarem coligadas.




Além de ser incompreensível e causar confusão a qualquer eleitor, essa esquizofrenia eleitoral também é ilegal, já que um candidato proporcional (ou seja, a deputado federal ou estadual) não pode citar em seus materiais de campanha o nome de um candidato majoritário (ou seja, presidente ou governador) que não seja o de seu partido ou coligação. Porém, para as gangues da velha política corrupta do nosso querido país, vale tudo.

Será que Marina, ou sua coordenação de campanha, concordaram com essa sujeira e "deixaram" que ela fosse feita porque, na reta final, tudo o que servir para somar votos é bem-vindo, mesmo que provenha do esgoto político?
Ou será que Fonseca e Teixeira estão usando o nome de Marina sem a anuência dela porque acham que a figura da candidata do PSB pode ser mais atraente para o eleitorado evangélico fundamentalista que pretendem conquistar que o do liberal Aécio?

Seja como for, Marina deveria se perguntar por que o nome dela é associado a esse discurso fascista. Será por que seu discurso, em vez de questionar, à esquerda, as falências do governo Dilma, como muitos dos seus eleitores progressistas de 2010 esperavam, é cada dia mais reacionário, aproximando-a da linha discursiva da revista Veja (que essa semana saiu em defesa dela), do Círculo Militar (que se declarou esperançoso com a sua candidatura), dos pastores que pregam discurso de ódio contra a população LGBT e dos setores mais conservadores da sociedade, que podem se sentir representados pela propaganda de Fonseca e Teixeira?

Marina deveria preparar um café, sentar no sofá e, com calma, refletir sobre o que está fazendo ou sobre o que estão fazendo com o nome dela. E você, eleitor, eleitora, deveria pensar com qual Brasil você sonha. O fundamentalismo está aí, virando a esquina, e dá medo."

CPI da Petrobras e a fraude da "Veja"

 
Altamiro Borges, Blog do Miro http://1.bp.blogspot.com/-7Fpc3dTeRZM/VBbeq8MWK-I/AAAAAAACH0k/Jg6NO2OBNj0/s1600/Veja01.jpg

Se o Brasil fosse um país sério no trato com a sua mídia, a direção da Veja seria imediatamente acionada pelos órgãos competentes para explicar a “reporcagem” fraudulenta publicada no início de agosto – que estampou na capa a manchete sensacionalista “A fraude da CPI da Petrobras”. Nesta quinta-feira (11), a comissão de sindicância do Senado criada para investigar o “escândalo” divulgou nota em que afirma que não houve nada de irregular. Os dois servidores públicos acusados pela revista foram totalmente inocentados – depois de terem seus nomes enxovalhados.

A comissão concluiu que não houve “qualquer indício de vazamento de informações privilegiadas, de documentos internos da CPI da Petrobras ou de minutas de questionamentos que seriam feitos a depoentes”. Ela também decidiu arquivar o caso, tão explorado pela oposição demotucana e pelo restante da mídia. A “reporcagem” da Veja ainda custou caro aos cofres públicos. A comissão acionou três servidores, gastou 37 dias nos trabalhos de apuração e ouviu 14 depoimentos, além de investigar as caixas de e-mails dos funcionários acusados levianamente.

A nota esclarece que a comissão “verificou o controle de acesso aos arquivos eletrônicos confidenciais, examinou os documentos utilizados como subsídio das reuniões da CPI e analisou os vídeos dos depoimentos, por diferentes câmeras, bem como o vídeo que originalmente fundamentou a denúncia” da Veja. Até agora, o site da revista não fez qualquer autocritica do seu jornalismo do esgoto, fraudulento. Os parlamentares que aproveitaram o escândalo fabricado para pedir a cabeça da presidenta da Petrobras, Graça Foster, também não se pronunciaram. Haja impunidade no Brasil!

E o governo Dilma ainda banca milhões em publicidade nesta revistinha escrota e golpista!

Reproduzo abaixo a nota oficial da comissão do Senado:

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A Diretoria-Geral do Senado Federal recebeu, na tarde desta quinta-feira (11), o relatório da comissão de sindicância instaurada para investigar a denúncia publicada na imprensa quanto ao suposto vazamento de informações, em especial de perguntas, entre assessores parlamentares do Senado e a assessoria da Petrobras no âmbito da CPI da Petrobras.

A comissão de sindicância funcionou por 37 dias, tomou 14 depoimentos, investigou as caixas-postais de correio eletrônico dos envolvidos, verificou o controle de acesso aos arquivos eletrônicos confidenciais, examinou os documentos utilizados como subsídio das reuniões da CPI e analisou os vídeos dos depoimentos, por diferentes câmeras, bem como o vídeo que originalmente fundamentou a denúncia.

Ao término das investigações, a comissão, composta por servidores com notável formação acadêmica e experiência profissional, contando com um doutor em Direito Penal, um mestre em Direito Processual e um especialista em Direito Constitucional, concluiu que não houve qualquer indício de vazamento de informações privilegiadas, de documentos internos da CPI ou de minutas de questionamentos que seriam formulados aos depoentes e manifestou-se pelo arquivamento do processo."

Sem argumentos, Marina agora apela para chororô


A candidata Marina Silva deflagrou, neste sábado, uma nova estratégia política; quer vencer as eleições de 2014 com uma nova arma: suas lágrimas; à Folha de S. Paulo, ela se derramou em prantos ao mencionar críticas que o ex-presidente Lula teria feito a ela; ao Estado de S. Paulo, também chorosa, disse: "parem de tentar me destruir"; capa de Veja deste fim de semana faz parte deste mesmo contexto; ao apelar para a encenação, Marina cria um personagem curioso; ela se julga apta a acusar o PT de colocar diretores "para assaltar a Petrobras", mas se enxerga como vítima de baixarias quando é contestada por suas próprias contradições; questionada, presidente Dilma Rousseff ironizou: "Não sou contra chorar. Chorar é intrínseco ao ser humano".
247 - Marina Silva, candidata do PSB à presidência da República, esgotou seu arsenal de argumentos lógicos e racionais. Agora, sua arma para tentar vencer as eleições presidencial de 2014 é inusitada: o choro. Sim, Marina quer colocar suas próprias lágrimas a serviço de uma estratégia política.

O plano consiste em criar um novo mito: a guerreira frágil, que estaria sendo esmagada pela máquina de difamação e baixarias do Partido dos Trabalhadores.

A interlocutores escolhidos a dedo, Marina chorou aos borbotões nas últimas horas. À Folha de S. Paulo, ela chorou ao falar de Lula, que, segundo ela, a teria atacado. "Eu não posso controlar o que Lula pode fazer contra mim, mas posso controlar que não quero fazer nada contra ele", disse Marina, com a voz embargada, à repórter Marina Dias (leia aqui).

Marina se referia a um discurso de Lula em que nem foi citada. Em Recife, o ex-presidente apenas afirmou que "tem gente querendo acabar com o pré-sal". Em seguida, afirmou que, se fosse preciso, ele próprio saltaria no fundo do mar para buscar este petróleo. A crítica de Lula era apenas política e decorria do fato de Marina ter negligenciado o pré-sal em seu programa de governo.

Uma reportagem do jornal Estado de S. Paulo deste sábado também retrata uma Marina chorosa, que estaria se sentindo injustiçada. "Parem de querem me destruir", disse ele. "Nunca imaginei, por mais criativa que eu fosse, depois de 30 anos lutando no PT, depois de ter enfrentado jagunço e depois de ter lutado pelo Lula, que seriam eles que iriam fazer de tudo para me destruir", afirmou.

Em Veja, a capa é também uma peça de campanha que visa reforçar o mesmo mito: o da frágil Marina atacada pelo PT.

No entanto, Marina se diz atacada, mas considera absolutamente legítimo dizer que o PT nomeou "diretores para assaltar a Petrobras". Será que ela não deveria estar preparada para, em vez de apelar para o chororô, retrucar com argumentos as críticas que lhe são feitas?

Neste sábado, ao ser questionada sobre a nova estratégia de Marina, a presidente Dilma Rousseff saiu pela tangente: "Não sou contra chorar. Chorar é intrínseco ao ser humano", disse ela, no Twitter.

Lula responde à candidata chorona


“Nunca falei mal da dona Marina e vou morrer sem falar mal da dona Marina. Ela é que tem que explicar por que nasceu, cresceu e ganhou todos os cargos no PT e falou mal do PT essa semana. Eu não tenho que me explicar, eu tenho é a obrigação de falar bem da minha candidata que é Dilma Rousseff”, afirmou Lula em Sapopemba, após caminhada realizada ao lado de Eduardo Suplicy, Alexandre Padilha e Fernando Haddad.

Lula, no Facebook 

Artistas assinam manifesto em apoio a Dilma

 

Brasil 247 - 15 de Setembro de 2014 às 11:40 

 

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Lista é composta por atores renomados, como Osmar Prado, Paulo Betti e Matheus Nachtergaele, e personalidades da música, como Chico Buarque e as cantoras Beth Carvalho e Zezé Motta; entre os escritores estão Fernando Morais e Luis Fernando Veríssimo, além de intelectuais e jornalistas; "Os brasileiros decidem agora se o caminho em que o país está desde 2003 é positivo e deve ser mantido, melhorado e aprofundado, ou se devemos voltar ao Brasil de antes - o do desemprego, da entrega, da pobreza e da humilhação", diz texto do manifesto
247 – Dezenas de artistas renomados, entre cantores, compositores, atores e escritores, além de jornalistas e intelectuais, assinam um manifesto de apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) em outubro. "Os brasileiros decidem agora se o caminho em que o país está desde 2003 é positivo e deve ser mantido, melhorado e aprofundado, ou se devemos voltar ao Brasil de antes - o do desemprego, da entrega, da pobreza e da humilhação", diz trecho do texto.

O manifesto, publicado no site manifesto.dilma.com.br, afirma ainda que "nunca o Brasil havia vivido um processo tão profundo e prolongado de mudança e de justiça social, reconhecendo e assegurando os direitos daqueles que sempre foram abandonados". Os artistas acreditam que "abandonar esse caminho para retomar fórmulas econômicas que protegem os privilegiados de sempre seria um enorme retrocesso".

"O brasileiro já pagou um preço demasiado para beneficiar os especuladores e os gananciosos. Não se pode admitir voltar atrás e eliminar os programas sociais, tirar do Estado sua responsabilidade básica e fundamental", prossegue o manifesto, ressaltando que o Brasil precisa reformular determinadas políticas e aprofundar transformações, mas que precisa "mudar avançando e não recuando". "O caminho iniciado por Lula e continuado por Dilma é o da primavera de todos os brasileiros. Por isso apoiamos Dilma Rousseff", conclui o texto.

Entre os que assinam estão atores famosos, como Osmar Prado, Paulo Betti e Matheus Nachtergaele, personalidades da música, como Chico Buarque e as cantoras Beth Carvalho e Zezé Motta. Entre os escritores estão Fernando Morais e Luis Fernando Veríssimo, além de intelectuais e jornalistas.
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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Ibope e Vox Populi contrastam com Datafolha, em outras palavras Ibope e Vox Populi deixam Datafolha embananado.

Ibope e Vox Populi contrastam com Datafolha

Uma tendência é certa nas últimas pesquisas eleitorais: Marina Silva (PSB) está em queda, Dilma Rousseff (PT) em ascensão e Aécio Neves estagnado
por Helena Sthephanowitz publicado 12/09/2014 16:12, última modificação 12/09/2014 19:33
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O que mais coloca em dúvida a pesquisa do Datafolha são os números muito baixos de indecisos e nulos no segundo turno
O que traz incertezas quanto à consistência dos levantamentos são diferenças entre alguns institutos, acima da margem de erro. Duas pesquisas, uma do Vox Populi e outra do Datafolha, foram feitas exatamente nos mesmos dias, entre 8 e 9 deste mês, e encontraram alguns números contrastantes além das faixas de tolerância. Quem estaria certo?
O tira-teima foi outra pesquisa, do Ibope, contratada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada nesta sexta-feira (12). Foi encerrada no dia 8, data bem próxima das outras, e registrou uma tendência mais parecida com o Vox Populi, o que deixa o Datafolha em saia justa.
Em relação ao primeiro turno, as intenções de votos em Aécio estão idênticas (15%) nos três institutos. Em Dilma estão dentro da margem de erro (36% e 39%), mas no caso de Marina, o Vox Populi registrou 28%, enquanto o Datafolha 33% para a candidata do PSB. São 5 pontos de diferença, acima do limite da margem da erro, que é de 2,2 pontos no Vox Populi e 2% no Datafolha. O Ibope registrou 31%, intermediário entre os dois institutos, mas foi a campo na véspera das outras pesquisas. Logo, se a tendência era de queda de Marina e oscilação para cima de Dilma, tende a coincidir mais com a apuração do Vox Populi.
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Outra divergência foi nos indecisos. O Vox Populi destoou com 13%, enquanto o Datafolha registrou 7% e o Ibope 5%.
Na sondagem de segundo turno, todos institutos registraram Dilma chegando ao empate técnico com Marina, mas com números diferentes. Dilma teve 41% no Vox Populi, 42% no Ibope e 43% no Datafolha, resultado idêntico dentro da margem de erro. Marina teve 42% no Vox Populi e 43% no Ibope, o que coloca os 47% no Datafolha em dúvida.
Apesar de alguns números divergirem acima da margem de erro, a diferença é pequena e pode de fato ocorrer dentro da probabilidade estatística.
Mas os números do Vox Populi e Ibope são ainda convergentes quando analisamos os votos inválidos e indecisos. No primeiro turno, o Vox Populi registra 7% de intenção de votos nulos/branco/ninguém. No segundo, esse número sobe para 10%. É um resultado esperado. Parte dos eleitores de Aécio Neves (PSDB) ou de Luciana Genro (Psol), por exemplo, pode dizer que anula o voto caso seu candidato não passe para o segundo turno. A mesma lógica acontece no Ibope. Nulos/Branco são 8% no primeiro turno e 10% no segundo. No caso do Datafolha, registram-se tanto no primeiro como segundo turno 6%. Possível, mas pouco provável.
O que mais coloca em dúvida a pesquisa do Datafolha são os números extremamente baixos de indecisos e nulos no segundo turno. Somados dão 10% em segundo turno, contra 17% do Vox Populi e 15% do Ibope.
Quando o candidato do PSB era Eduardo Campos, os votos nulos e indecisos eram maiores. Com a entrada de Marina Silva na disputa, ela capturou a maioria destes votos em um primeiro momento. Atraindo os holofotes para si, teve suas contradições expostas e passou a perder votos. É de se esperar que parte dos votos da “antipolítica”, que antes iria anular o voto, volte a fazê-lo.
E também é de se esperar que parte dos votos sem certeza que pendiam para Marina, migrem para outros candidatos à medida que o eleitor volúvel compare as propostas e conheça melhor a candidata. O que leva Marina a cair é ficar mais conhecida. Suas posições que agradam uns, desagradam outros. Inicialmente ambos viam nela a ideia de votar naquilo que julgavam se identificar, sem conhecê-la direito.
Quando Marina tenta neutralizar críticas de inexperiência, dizendo que foi vereadora, deputada, senadora duas vezes e ministra, essa longevidade política já espanta parte do eleitorado da chamada “nova política”. Marina não é tão novidade assim. Ela conviveu “com tudo isso que está aí” por mais de duas décadas ocupando cargos políticos.
Quando ela tenta neutralizar a falta de base de sustentação política, que levou à renúncia de Jânio Quadros e ao impeachment de Collor, dizendo que vai governar com todos os partidos, mesmo dizendo que com “os melhores”, o eleitor que gritava “sem partido” em junho de 2013, já não a vê como opção. E aquele consciente de que sem uma reforma política a governabilidade se faz obrigatoriamente com quem é eleito no Congresso Nacional, vê incapacidade ou falsidade.
Quando ela volta atrás no programa de governo depois de quatro tuitadas do Pastor Silas Malafaia, ela desagrada e perde a confiança de outros setores. Marina se complica tendo declarações do presente desmentidas por atos do passado, como na questão da votação na CPMF, dos transgênicos, do agronegócio, ou ao ter posição contraditória sobre o pré-sal, que ela trata como um mal que tem de ser aturado e combatido. Em vez de azucrinar o pré-sal brasileiro, deveria mirar no Canadá por extrair petróleo de areias betuminosas no Ártico, em um processo muito mais poluente.
Quando ela procura varrer para baixo do tapete o escândalo da compra por empresas laranjas do avião de campanha dela e de Eduardo Campos, perde a aura de paladina da ética. Também não combina com a tal “nova política” manter em segredo quem paga por suas palestras. Marina não é uma empresária que entrou na política. É uma política que virou empresária para se manter candidata desde 2010. Quer queira, quer não, o eleitor desconfiado sente cheiro de “velha política” quando políticos escondem de onde vem suas fontes de renda, mesmo em atividades privadas e mesmo que não tenha necessariamente nada ilegal. O próprio clima inquisicional criado na imprensa tradicional para fazer o eleitor odiar a política, em vez de reformá-la, estimula essa desconfiança. Clima este que a própria Marina estimulou.
Ela perde votos quando usa dois pesos e duas medidas no trato da corrupção. Uma medida para pré-condenar Dilma pelos atos de terceiros, no caso um ex-diretor da Petrobras, funcionário de carreira, e usa outra medida para pedir o benefício da dúvida para Eduardo Campos, supostamente envolvido pela delação premiada deste mesmo ex-diretor.
O eleitor fica com um pé atrás ao ver o excessivo vínculo ao banco Itaú, pela influência da banqueira Neca Setúbal, inclusive através de patrocínios financeiros para as atividades privadas da candidata. Piora o discurso de Marina repetir bordões lobistas do mercado financeiro, tal como ceder a propostas de independência do Banco Central.
Marina começou tentando agradar a todos, apelando para sentimentos que são unânimes tais como governar com os bons, ser a favor de tudo que é do bem, e um monte de simplismos que todo mundo, desde criança, concorda. Mas na hora de ser obrigada a deixar de discutir o sexo dos anjos, e se posicionar sobre problemas reais do Brasil, ela perde votos ou de um lado ou de outro. E ainda corre o risco de, ao tentar agradar a todos, não agradar ninguém.
Daí ser estranho o Datafolha ainda ostentar índices tão altos para Marina, como se ela ainda fosse unanimidade entre quem está contrariado com qualquer coisa que acontece no Brasil.
registrado em:

Da Rede Brasil Atual.

Candidata apoiada pela CIA disputa eleição presidencial no Brasil. Eleições no Brasil: Marina Silva e a CIA-EUA é “caso” antigo


Eleições no Brasil: Marina Silva e a CIA-EUA é “caso” antigo
12/9/2014, [*]  Nil NikandrovStrategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
Marina Silva é atual candidata do Partido Socialista à presidência do Brasil. Em meados dos anos 1980s, ela já atraíra a atenção da CIA, quando frequentava a Universidade do Acre. Naquele momento, estudava marxismo e tornara-se membro do Partido Comunista Revolucionário, clandestino. Durou pouco aquele “compromisso”: ela rapidamente se transferiu para a “proteção do meio ambiente’ na Região Amazônica. Os serviços especiais dos EUA sempre tiveram interesse muito especial naquela parte do continente, na esperança de construírem meios para controlar a área no caso de emergência geopolítica.

CIA fez contato com Marina Silva. Não por acaso, em 1985 ela alistou-se no Partido dos Trabalhadores (PT), o que lhe abriu novas possibilidades de crescimento político.

Em 1994, Marina Silva foi eleita para o senado brasileiro, com fama de ativista apaixonada a favor da proteção ao meio ambiente. Foi quando começaram a circular informações sobre laços entre Marina Silva e a CIA. Em 1996, ela recebeu o Goldman Environmental Prize. [1]E recebeu inúmeras outras importantes condecorações: é praxe, quando se trata de “candidatos” que a CIA tem interesse em promover, que o “candidato” seja coberto de medalhas e condecorações.

Marina Silva serviu como Ministra do gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até que, interessada em”‘voos mais altos” e, preterida, ela abandonou o Partido dos Trabalhadores e mudou-se para o Partido Verde, de início dedicada a protestar contra políticas ambientais apoiadas pelo PT. Foi realmente um choque, na política brasileira, que a ex-ministra tenha mudado tão completamente de lado, depois de quase 30 anos de atividade a favor do Partido dos Trabalhadores.

Nas eleições de 2010, a candidata da CIA obteve quase 20 milhões de votos, como candidata do Partido Verde; na sequência, para as eleições de 2014, aceitou lugar na chapa de Campos, como vice-presidenta, quando fracassaram seus esforços para criar seu “não partido”, mas “rede”, chamada “Sustentabilidade”. Dilma Rousseff, candidata do PT contra a qual se alinhavam já em 2010 todas as demais candidaturas, trazia planos para dar continuação às políticas independentes do presidente Lula. Nada disso interessava a Washington em 2010, como tampouco interessa hoje, em 2014.

Daquele momento até hoje, as relações entre Brasil e EUA só fizeram piorar, resultado do escândalo da espionagem & escutas clandestinas. A Agência de Segurança Nacional dos EUA espionou a presidenta Dilma Rousseff e membros de seu gabinete. A presidenta brasileira chegou a cancelar visita oficial que faria aos EUA, como sinal de protesto. Os EUA jamais apresentaram pedido de desculpas ou comprometeram-se a pôr fim às atividades de espionagem. A presidenta Dilma, então, agiu: denunciou as atividades da Agência de Segurança Nacional e da CIA dos EUA na América Latina e tomou medidas para aumentar a segurança nas comunicações e controle sobre representantes dos EUA ativos no Brasil. Obama não gostou.

As eleições presidenciais no Brasil estão marcadas para 5 de outubro de 2014. E Washington está decidida a fazer de Dilma Rousseff presidenta de mandato único. Não há dúvida alguma de que os serviços especiais já iniciaram campanha para livrar-se da atual governante brasileira. Começaram a agir com movimentos de protesto ditos “espontâneos”, que encheram algumas ruas e foram amplamente “repercutidos” na imprensa-empresa, nos quais os “manifestantes” pedem mudanças (aparentemente, qualquer uma, desde que implique “mudança de regime”) e o fim das “velhas políticas” [de fato, nenhuma política é ou algum dia será “mais velha” que o golpismo orquestrado pela CIA no Brasil e em toda a América Latina (NTs)]. Ouviram-se grupos de jovens em protestos contra a propaganda e os símbolos dos partidos políticos, especialmente do PT.

Não se sabe até hoje de onde surgiram os recursos com os quais Marina Silva começou a organizar sua “rede” Sustentabilidade. A nova “organização” visava a substituir os partidos tradicionais, que a candidata declarou “velhos”. Tendo obtido 19 milhões de votos, o que lhe valeu o 3º lugar nas eleições passadas, ela contudo não conseguiu cumprir todas as exigências legais para criar oficialmente sua nova “rede”. Até que a tragédia que matou Eduardo Campos e seis outras pessoas, perto de São Paulo, mês passado, deu a Marina Silva uma surpreendente segunda chance para tentar chegar à presidência do Brasil. Para conseguir ser a primeira mulher mestiça a chegar à presidência do Brasil, terá de derrotar a primeira mulher que chegou lá antes dela, Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, PT; além o candidato Aécio Neves do PSDB, partido pró-business, que hoje amarga um 3º lugar nas pesquisas. A Casa Branca tem-se sentido frustrada.

Dia 13 de agosto de 2014, a campanha eleitoral presidencial no Brasil foi lançada em área de incerteza, quando um jato que conduzia o candidato do partido socialista, Eduardo Campos, tombou sobre bairro residencial de Santos, próximo de São Paulo. Morreram o candidato e seis outras pessoas, passageiros e da tripulação, no acidente que pode ter acontecido por causa do mau tempo, quando o Cessna preparava-se para pousar. As mortes geraram uma onda de comoção nacional, que provavelmente evoluirá para especulações sobre o efeito que terão nas eleições do próximo 5 de outubro de 2014. A presidenta Rousseff declarou três dias de luto oficial por Campos, ex-ministro do governo do presidente Lula. A aeronave passara por manutenção técnica regular e nenhum problema foi detectado. De estranho, só, que o gravador de vozes da cabine do avião não estava operando, o que gerou suspeitas. O gravador operara normalmente e gravara várias conversações na cabine, mas nada gravou no dia da tragédia. O avião já passara por vários proprietários (empresários norte-americanos e brasileiros, representantes de empresas de reputação duvidosa), antes de chegar à campanha dos candidatos Eduardo Campos e Marina Silva. 

Para alguns comentaristas brasileiros e dos EUA, há forte probabilidade de que tenha havido um atentado, que resultou no assassinato de Eduardo Campos. Antes da tragédia, o avião foi usado pela agência antidrogas dos EUA, Drug Enforcement Administration (DEA). Enviados de antigos proprietários do avião tiveram acesso ao local do acidente, sob os mais diferentes pretextos. Difícil não conjecturar se teria havido agentes dos EUA por trás da tragédia. Mas ainda não se sabe exatamente sequer o que aconteceu. Saber quem fez, se algo foi feito,  demorará ainda mais.

O avião decolou do Rio de Janeiro, onde opera uma estação da CIA, em território do consulado dos EUA. Não há dúvidas de que aquele escritório é usado pela Agência. Talvez os serviços especiais do Brasil devessem dar atenção especial a personagens que rapidamente deixaram o país, imediatamente depois da tragédia em Santos. A morte de Eduardo Campos teve efeito instantâneo sobre a candidatura do Partido Socialista: Eduardo Campos jamais passara dos 9-10% de preferência nas pesquisas, mas Marina Silva rapidamente surgiu com 34-35%, na votação em primeiro turno. Agora, se prevê que a eleição seja levada para o segundo turno.

O principal problema de Marina Silva é que é sempre difícil entender quais seriam suas reais intenções e projetos. É uma espécie de “imprecisão” que se observa constantemente no discurso de candidatos promovidos pelos EUA. Marina Silva  mudou de lado, sempre muito dramaticamente, inúmeras vezes. Ao unir-se a Eduardo Campos, por exemplo, a candidata várias vezes se manifestou a favor de manter bem longe do Brasil as ideias de Chavez (Hugo Chavez – falecido presidente da Venezuela, conhecido pelas convicções socialistas e políticas de esquerda). Mas ela serviu ao governo do presidente Lula, conhecido e muito respeitado defensor do chavismo. (...)
De fato, ao tempo em que a campanha avança e as eleições aproximam-se, Marina Silva vai-se tornando cada vez mais neoliberal. Já disse que não vê sentido em fazer dos BRICS um centro de poder multipolar, nem em apressar a implementação de medidas já decididas dentro do bloco, como criar um banco de desenvolvimento, um fundo de reserva, etc. Já manifestou “dúvidas” sobre o Conselho Sul-Americano de Defesa, e diz, em discussões com assessores íntimos, que quer dar menos atenção ao MERCOSUL e à UNASUL (União das Nações Sul-Americanas, união intergovernamental em que se integram duas uniões aduaneiras, o MERCOSUL e a Comunidade de Nações Andinas, como parte do processo de integração sul-americana). Para Marina Silva, mais importante é desenvolver relações bilaterais com os EUA.

Fato é que os brasileiros estão já habituados a quase 20 anos de progresso social no país, com os governos do presidente Lula e da presidenta Rousseff. A população é ouvida, as reformas acontecem, o que foi prometido está sendo construído, o Brasil vive tempos de estabilidade e de avanços.

Se Marina Silva chegar à presidência (George Soros, magnata norte-americano, investidor e filantropo, tem alimentado a campanha dela com quantidade significativa de fundos), deve-se contar com o fim de vários programas sociais e políticos, o que pode vir a gerar grave descontentamento popular. Há quem diga que os escritórios dos EUA no Brasil estão repletos de agentes dos serviços especiais, encarregados de “gerar” “protestos” naquele país.

Nota dos tradutores:
[1] Conheça o Goldman Environmental Prize; além de Marina Silva, outro brasileiro recebeu esse prêmio, um “Carlos Alberto Ricardo”, fundador da ONG Instituto Socioambiental, em 1992.
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[*] Nil Nikandrov é um jornalista sediado em Moscou cobrindo a política da América Latina e suas relações com os EUA; crítico ferrenho das administrações neoliberais sobre as economias nacionais latino-americanas. Especializou-se em desmascarar os esforços feitos pela CIA e outros serviços de inteligência ocidentais para minar governos progressistas na América Latina. Autor de vários livros - tanto de ficção e estudos documentais - dedicados a temas latino-americanos, incluindo a primeira biografia em língua russa de Hugo Chávez.

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