sábado, 25 de outubro de 2014

Uma discussão estritamente jornalística sobre o caso Veja

Protesto contra a Veja
, DCM

Vou falar estritamente sobre a técnica jornalística utilizada pela Veja na última edição.

Percebi que é necessário, uma vez que mesmo jornalistas experientes como Ricardo Noblat não compreendem exatamente onde está o problema.

Citei Noblat porque, em sua conta no Twitter, além de em determinada altura do debate de ontem ele informar seus seguidores de que a bateria do celular acabara, ele fez a seguinte indagação.

“Que prova Dilma da reportagem da Veja?  Uma gravação? Diria que é falsa. Uma entrevista do doleiro preso?”

Uma das missões do jornalismo é jogar luzes sobre sombras. Noblat jogou ainda mais sombras sobre as sombras já existentes.

Prova é prova. Prova são evidências consideradas irrefutáveis pela Justiça depois de um processo em que as partes defendem sua posição.

Prova não é a palavra de ninguém – gravada, escrita ou dita em público.

Porque o ser humano pode dizer qualquer coisa que imagine que vá beneficiá-lo ou prejudicar um opositor.

Imagine que alguém queira destruir moralmente você. Ele afirma que você é pedófilo, por exemplo. Grava um vídeo e coloca no YouTube.

O fato de ele haver falado que você é pedófilo não prova nada, evidentemente. Você o processa. A Justiça vai pedir provas. Se o difamador não as tiver, estará diante de uma encrenca considerável.

O raciocínio acima não vale, infelizmente, para o jornalismo, dada a influência que as empresas de mídia exercem sobre a Justiça no Brasil.

Mas vale em sociedades mais avançadas. O caso clássico, neste capítulo, é o de Paulo Francis.

Acusou diretores da Petrobras de terem contas no exterior. Como as acusações foram feitas em solo americano, no programa Manhattan Connection, os acusados puderam processá-lo nos Estados Unidos.

A Justiça americana pediu provas a Francis. Ele nada tinha. Na iminência de uma indenização à altura das calúnias, Francis se atormentou e morreu do coração.
Na Justiça brasileira, ele certamente se sairia facilmente de um processo. E ainda seria glorificado como mártir da liberdade da expressão.

Ainda que, para voltar à frase de Noblat, uma fita fosse apresentada, isto não valeria rigorosamente nada. De novo: nada.

Imagine, apenas a título de exercício mental, que alguém tivesse prometido ao doleiro preso vantagens no caso de uma vitória de Aécio: dinheiro, pena branda, cobertura discreta em jornais, revistas, telejornais.

Imagine, além disso, que o doleiro de fato acreditasse que uma simples declaração sua daria a presidência a Aécio.

Ele falaria o que quisessem que ele falasse, naturalmente.

No Brasil, situações como a que descrevi podem acontecer.

Nos Estados Unidos, e volto a Paulo Francis, não. Sem provas, não apenas o acusador estaria frito. Também jornais e revistas que reproduzissem suas acusações enfrentariam problemas colossais.

A sociedade tem que ser protegida.

Em meus dias de Abril, meus amigos se lembram, sempre disse que seria simplesmente inimaginável um jornal publicar – sem provas – uma entrevista em que um irmão do presidente fizesse acusações destruidoras.

Esse irmão poderia estar mentindo, por ódio ou motivações pecuniárias. Inventando coisas. Aumentando outras.

Onde muitas pessoas viram um triunfo da Veja, enxerguei desde o princípio uma demonstração da miséria do jornalismo nacional. E da Justiça, porque se ela agisse como deveria ninguém destruiria a reputação de ninguém sem provas.

Tantos anos depois deste caso a que me refiro, nem o jornalismo brasileiro e nem a Justiça evoluíram.

As trapaças estão até nos detalhes. O jornalismo digno manda que você tome cuidados básicos ao publicar acusações. O acusador disse isso ou aquilo.

Afirmou. Para manipular leitores, a Veja utiliza outro verbo: revelou. É, jornalisticamente, uma canalhice e um crime.

A Veja sabe que pode publicar o que bem entender porque a Justiça não vai cobrar provas. Como opera em solo brasileiro, e não americano, ainda poderá se declarar mártir da liberdade da expressão, caso seja mesmo processada por Dilma.

Era o que aconteceria com Paulo Francis se não tivesse sido julgado pelas leis americanas.

Nos Estados Unidos, de onde emigrou há 60 anos a então modesta família Civita para fazer fama e fortuna no Brasil, a Veja estaria morta há muito tempo com o tipo de jornalismo que faz."

Da homofobia de Fidelix à capa 'golpista' de 'Veja', uma eleição para não deixar saudade

Dilma e Aécio durante um dos debates do segundo turno: 'leviana' de um lado, Lei Seca de outro
"Reportagem da revista semanal que acusa Dilma e Lula de terem ciência sobre desvio de recursos na Petrobras coroa campanha marcada por baixo nível, ataques pessoais e denúncias infundadas

Brasil 247

Ofensas públicas em debates e em comícios, acusações sobre corrupção tomando como base o depoimento de um criminoso e frases homofóbicas proferidas nacionalmente: nada nos últimos três meses se compara à capa desta semana da revista Veja, que acusa Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva de serem conhecedores e beneficiários de um esquema de propina utilizando verbas da Petrobras.

O professor de Ciências Políticas Francisco Fonseca, da Fundação Getúlio Vargas, entende haver uma clara tentativa de interferir no processo eleitoral, em uma ação que rebaixa ainda mais o nível do debate eleitoral de 2014. Para o especialista, o governo deve retirar os anúncios oficiais da publicação e o PT deve entrar com um processo judicial contra a revista.

“Minha avaliação é que isso faz parte de um golpe que está sendo processado de dois anos para cá pela grande mídia, da qual a revista Veja é a porta-voz. É uma capa que não tem nenhum fundamento, com o intuito de interferir nas eleições, criando um fato político”, afirma. “É golpismo e está na hora de o governo parar de direcionar publicidade oficial para veículos de comunicação claramente golpistas. Essa capa é um panfleto da extrema-direita, sem qualquer critério jornalístico, que tem por objetivo claro influenciar as eleições. Mas a publicação terá um efeito muito pequeno, porque fala apenas com quem já votaria em Aécio.”

A publicação da Editora Abril traz supostas denúncias do doleiro Alberto Youssef, que teria dito ao delegado que investiga irregularidades na Petrobras que Lula e Dilma sabiam de tudo. No entanto, o advogado Antonio Figueiredo Basto, que defende o doleiro, disse desconhecer o depoimento de seu cliente: "Eu nunca ouvi nada que confirmasse isso. Não conheço esse depoimento, não conheço o teor dele. Estou surpreso", afirmou. "Estamos perplexos e desconhecemos o que está acontecendo."

A presidenta Dilma Rousseff fez hoje (24) um depoimento contra a revista durante seu programa eleitoral, em uma ação que chamou de “criminosa”. A candidata do PT à reeleição afirma que a atitude envergonha a imprensa e a tradição democrática do país, que não é a primeira vez que a publicação tenta interferir no processo eleitoral e na sua imagem e na do ex-presidente. "Sou defensora intransigente da liberdade de imprensa. Mas a consciência livre da Nação não pode aceitar que mais uma vez se divulguem falsas denúncias no meio de um processo eleitoral em que o que está em jogo é o futuro do Brasil. Os brasileiros darão sua resposta a Veja e seus cúmplices nas urnas. E eu darei a minha resposta a eles na Justiça", afirmou Dilma.

Para Fonseca, a ação judicial contra a revista é justificável. “Esse caso tem que ser levado à Justiça. Claro que a candidatura de Aécio vai reclamar dizendo que é censura, mas claramente não é. E quem é Aécio Neves para falar de censura?”, questionou.

Em Minas Gerais, Aécio e o PSDB são autores de duas ações para retirar da internet todos os links que fazem menção ao desvio de verba do governo tucano no estado – pelo menos 20 mil conteúdos. Outra ação, que corre em segredo de Justiça, pede “providências” contra perfis em redes sociais que relacionam Aécio ao consumo de drogas. Já durante a campanha, o candidato entrou com um processo contra o Twitter exigindo que lhe fossem entregues os cadastros de 66 usuários, entre eles blogueiros, jornalistas e ativistas digitais. Além disso, ele solicitou à polícia do Rio de Janeiro a invasão do apartamento da jornalista Rebeca Mafra, que citou o jornalista em uma matéria classificada como “crime de honra”.

Na opinião de Fonseca, o episódio mostra que é urgente dar início a uma reforma da mídia, de forma a “proibir os oligopólios, rever concessões e impedir a propriedade cruzada”. “Nenhum deles foi propositivo. A campanha é fortemente midiática e marqueteira, para responder às pesquisas eleitorais. Se discute em um nível muito genérico, que baixou ainda mais de 2010 para cá.”

Baixaria

Se a publicação da Veja coroa o baixo nível do debate eleitoral de 2014, as campanhas e a imprensa conseguiram, durante o processo eleitoral, fomentar discursos de intolerância. “Aécio estabeleceu a campanha do ódio que, como teme a elite, de fato transformou o Brasil em uma Venezuela. É o ódio de classe, que estava subterrâneo na sociedade”, avalia. “O que temos são embates, e não debates. A violência é inclusive gestual, transpondo a ideia de ‘vamos libertar o país de vocês’. Em 2010 o nível já estava baixo, mas agora foi o rebaixamento completo."

A disputa eleitoral deste ano foi marcada por episódios emblemáticos neste aspecto, como o vai e volta de Marina Silva (PSB) em seu programa de governo, o pronunciamento homofóbico de Levy Fidelix (PRTB) no debate da Record e o fato de Aécio Neves ter chamado duas candidatas de “levianas”. Apesar de os episódios terem levantado a bola para um debate sobre direitos sociais, os temas foram pouco discutidos. O que ganhou a cena foram os ataques partidários e o confronto de histórias políticas, segundo especialistas e parlamentares.

“Foi uma campanha mais sobre passados e heranças dos governos do que sobre futuro. De um lado se retomam ataques dizendo que o PT errou e que é necessário, por exemplo, fortalecer negociais comerciais com os EUA e a Europa, mas não se explica como. De outro lado, o PT tem o discurso muito focado nos programas sociais, mas as jornadas de junho do ano passado mostraram que isso é insuficiente”, diz o diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), Cândido Grzybowski. “Em 2010, Lula apresentava resultados fantásticos de crescimento econômico e de avanços sociais. Era imbatível. Nessa campanha mundo está com dificuldade de se arrumar, e o Brasil tem mais incertezas.”

Ele avalia que o início do segundo turno foi bastante marcado por ataques pessoais, que se amenizaram no decorrer da disputa. “Aécio Neves (PSDB) acusava Dilma Rousseff (PT) de comandar um bando de corruptos e ela rebate dizendo que o ele próprio é corrupto”, avalia o especialista. “A verdade é que nenhum dos dois caminhou propositivamente. Dilma diz que Aécio vai voltar a política de salário reduzido e que vai acabar com o Bolsa Família. Aécio diz que vai melhorá-lo, mas não explica como. Nisso, a agenda da reforma política, por exemplo, foi muito vagamente tratada. E se a gente não discute não avançamos, mas os urubus, que são as empreiteiras e os grandes grupos empresariais, avançam e lucram”, avalia o especialista.

O filósofo Vladimir Safatle concorda. “O debate de 2010 já foi muito esvaziado de propostas. Este também. O voto em 2014 não é pela identificação com uma proposta. É o voto da negação. Nós, principalmente nós aqui de São Paulo, sabemos o que é o governo do PSDB é um desastre e que não podemos deixa-lo voltar”, afirma. “Vivemos um momento de esgotamento da política brasileira e me parece que nenhum dos atores principais no debate eleitoral tenham sido capazes de desempenhar seus papeis.”

Para o deputado tucano Bruno Araújo, a principal característica dessa eleição foi o processo que ele chama de “desconstrução”, encabeçado pelo Partido dos Trabalhadores. “Essa foi a opção marqueteira feita pelo PT em um momento que a presidenta disputa uma eleição mais difícil que seus antecessores. Por mais que os outros candidatos tentassem ser propositivos, o debate ficou na desconstrução. De 1994 para cá esta é a eleição mais focada na desconstrução”, diz.

“A oposição em 2010 foi um fracasso absoluto. Neste ano, eles fizeram mais ataques que propostas. Colocaram o PT como um partido corrupto, fizeram um ataque na cabeça da população com essa questão”, avalia diz o deputado federal Carlos Zarattini (PT).

O deputado federal Otávio Leite (PSDB) contrapõe dizendo que “é inevitável que verdades sejam ditas quando se é agredido por muitas mentiras”, afirma. “O PT tem se dedicado muito a fazer terrorismo sobre perda de eventuais direitos trabalhistas e até sobre o fim de programas sociais.”

Direitos sociais

Sequer as pautas relacionadas a direitos sociais, como a legalização do aborto ou a criminalização da homofobia, ganharam a profundidade que merecem, segundo os especialistas. Mesmo as declarações homofóbicas de Fidelix durante o debate da Record, em setembro, ainda no primeiro turno da disputa, não levaram a um aprofundamento do debate como reação. Na ocasião, Levy chegou a afirmar que “aparelho excretor não reproduz” e que a maioria heterossexual deveria “ter coragem” de “enfrentar a minoria” homossexual.

O segundo turno também teve seu momento mais alto em um debate. No encontro do SBT, Aécio e Dilma trocaram farpas, com claros sinais de irritação dos dois lados. O tucano acusou a petista de "leviana" por cobrá-lo por explicações a respeito do aeroporto privado construído com recursos públicos de Minas Gerais na fazenda de um tio. Não satisfeito, perguntou se ela era "conivente" com a corrupção ou "incompetente" com a administração pública.

De outro lado, Dilma evocou uma questão pessoal de Aécio ao pedir a opinião do adversário sobre motoristas que se recusam a fazer o teste de álcool e drogas em blitze da Lei Seca – o tucano foi parado em uma operação no Rio de Janeiro e se recusou a fazer o exame exigido por lei.

De volta ao primeiro turno, a então candidata Marina Silva (PSB) recuou sobre as propostas de direitos da comunidade LGBT em seu plano de governo em menos de 24 horas após o lançamento do documento e após ter recebido críticas ferrenhas do pastor Silas Malafaia, que chamou o plano de “vergonha pior do que do PT e do PSDB”. Um dos recuos foi o apoio à aprovação do PLC 122/06, que equipara os crimes de discriminação de gênero com os crimes de racismo, a eliminação de obstáculos para adoção de crianças por casais homossexuais e o apoio ao casamento civil gay igualitário.

“Tomar partido nesses temas desorganiza as alianças políticas. Ainda assim, Aécio tem a ousadia de propor a redução da maioridade penal, porque sabe que o eleitor dele quer isso”, avalia Cândido, do Ibase. “A rua deu a sinalização que é preciso avançar em direitos relacionados a saúde, segurança, mobilidade e cidadania e isso mal entrou no debate político.”

O deputado federal Paulo Teixeira (PT) avalia que apesar da declaração de Fidelix e dos recuos de Marina, a campanha de 2010 foi mais homofóbica que a de 2014. “As eleições desse ano foram menos assustadoras desse ponto de vista, mas ainda permanecessem essas velhas questões. Em 2010, José Serra (então adversário tucano de Dilma no segundo turno) abrigou essas bandeiras conservadoras.”

Naquele ano, os então candidatos Dilma e Serra travaram uma dura batalha pelo apoio de religiosos, um dos fatores que rendeu quase 20 milhões de votos à Marina Silva, que concorria pelo PV. Assim, religiosos conservadores acabaram conquistando um pedaço considerável da agenda dos presidenciáveis. Malafaia pregava voto em Serra acusando Dilma de ser “a favor do homossexualismo” e atribuindo até homossexualidade a ela.

Além disso, Serra fez uma campanha pesada contra o aborto, afirmando que Dilma era a defensora da proposta. Em sabatina da Folha de S. Paulo em junho daquele ano, ele chegou a afirmar que o aborto é “uma coisa terrível” e que “em um país como o nosso” a legalização liberaria “uma verdadeira carnificina”. “Quando Serra tentou retroceder sobre o aborto em 2010 ele perdeu votos dos progressistas, porque tirou a questão do campo político e colocou no debate sobre comportamento”, avalia Zarattini.

Em agosto deste ano, durante o debate da Band, Aécio defendeu a manutenção da atual legislação brasileira, que veta este direito às mulheres, exceto em casos de estupro e de fetos anencéfalos. "Acredito que a legislação atual deve ser mantida, mas defendo que haja cada vez mais informação, sobretudo a adolescentes de baixa renda no brasil, sobre anticoncepcional e outras formas contraceptivas", disse o tucano.

“Os temas do aborto e da homossexualidade estiveram mais presentes em 2010 até porque pela primeira vez a principal candidata era mulher. Foi também uma questão de conflito gênero, que neste ano tem sido pontuada com a postura conflitiva de Aécio Neves. Em 2010, o adversário não foi tão grosseiro e tão explicitamente arrogante. Mas os debates daquele ano ajudaram a consolidar a lógica fundamentalista que se expressa hoje no Congresso”, avalia a deputada federal Érika Kokay (PT).

Para Érika, Aécio tem adotado uma postura machista durante a campanha. No último dia 12, ele afirmou que Dilma está “à beira de um ataque de nervos”, durante uma agenda em Aparecida (SP). Dois dias depois, no debate da TV Band, Aécio chamou Dilma de “leviana” e “mentirosa”. Na ocasião, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva chegou a afirmar que “queria ouvir ele falar assim se o outro candidato fosse um homem”. Antes disso, ainda no primeiro turno, ele já havia chamado a candidata do Psol, Luciana Genro, de “leviana”. Em um momento marcante da primeira etapa da disputa, ela respondeu com firmeza: “tu não levante o dedo para mim!”.

“Ele não pode falar assim com uma mulher eleita democraticamente para a presidência da república. Existe até um protocolo para isso. O candidato do PSDB tem uma arrogância expressa no nível da agressividade e da blindagem a qualquer tipo de questionamento. É um escárnio e uma desfaçatez que está mais aguda agora, reflexo de uma candidatura que nunca viveu, dialogou ou se comprometeu com o combate às desigualdades”, avalia Érika. “Ele usa expressões cunhadas pelo machismo. É uma arrogância de caráter sexista que concentra três tipos de desprezo da casa-grande: o contra a mulher, o de classe e o menosprezo ao Estado democrático de direito.”

Último programa de Dilma na TV: espetacular. Assista


24 de outubro de 2014 | 21:10 Autor: Fernando Brito
alma
“Dou minha alma ao Brasil”.
Esta foi a última frase de Dilma Rousseff nos programas de campanha eleitoral na televisão.
Emoção pura, como convém a um fecho de campanha vitoriosa.
Povo, povo, povo.
Nada de ódio, nada de raiva.
Apoio de artistas, personalidades, sim.
Mas não como muletas, como no programa de Aécio.
Nem com Lula foi assim, foi primeiro a razão e depois a emoção dos comícios.
Mas festa, alto astral.
Clima de vitória.
Assista e diga se não foi assim.
Sensacional.
 

Ainda do Blog TIJOLAÇO.

É Dilma, não tem mais jeito…


25 de outubro de 2014 | 00:38 Autor: Fernando Brito
fim
Liga-me uma amiga, moradora de Botafogo, Zona Sul (não a mais chique, claro) do Rio:
Brito, quando acabou o debate, nos prédios em volta do meu e no meu, as pessoas foram pra  janela gritar Dilma, Dilma!
E eu aqui, meio sonolento, com um debate armado de forma amarrada, chata, travada,comecei a pensar: é, foi um  a zero ou zero a zero, mas foi a decisão
Ela não podia ter ganho mais do que continuar ganhando, sem perder nada ali.
E o fato é este, Dilma ganhou porque não perdeu nada.
A começar porque Aécio entregou  a Dilma a primeira bola da partida, citando a revista Veja.
Dilma deitou e rolou.
E foi assim no primeiro bloco.
Um outro amigo teve dados de um tracking feito sobre o debate, onde não houve mudança
Para o eleitor não-engajado em campanha era um “político” contra uma mulher que é “não-política”.
Adivinha o que o eleitor prefere?
Não houve bala de prata, nem bala de chumbo, nem bala de borracha.
Aquilo que disse mais cedo, que importava menos o debate do que o clima que o sucederia foi respondido pelas janelas de Botafogo.
A campanha de Dilma, para cima.
A de Aécio, para baixo.
A vitória dela será semelhante à de 2010.
Se a eleição fosse segunda-feira, seria maior.
PS. Talvez tenha havido um “gol” que eu não sei mensurar daqui do Rio, na menção da Sabesp. As gravações com o encobrimento da crise viraram assunto em São Paulo e podem corroer mais ainda a situação de Aécio, apesar da cara de pau de Alckmin de que se tem de apurar de quem foi a “ordem superior” para o “abafa”…Tem gente que não tem espelho em casa…

Também do Blog TIJOLAÇO.

Desespero, o último que sobra


25 de outubro de 2014 | 13:19 Autor: Fernando Brito
calma
O povo brasileiro já tomou sua decisão e é isso que a direita brasileira não suporta.
Que o povo decida sobre si mesmo.
Vamos viver ainda algumas horas de intranquilidade, pois sabemos que o nosso país é o paraíso dos canalhas, sobretudo dos que tentam manipular suas vontades, usando todos os instrumentos.
Não houve mudança em tudo o que se registrava nos últimos dias e a população sente isso nas ruas.
Tudo o que surgir diferente disso, de agora até as urnas não passa de manipulação desesperada.
Inclusive pesquisas “fajutas”.
Não há mudanças que as justifiquem.
Recusem o jogo desta gente.
Argumentos, convencimento de última hora serão tanto melhores quanto mais tranquilos sejam.
O povo brasileiro venceu esta batalha sozinho, sem mídia, sem “bombas”, sem capas de revista e sem pesquisas, também.
É por isso que urram suas últimas tentativas de impressionar os incautos e não terão limites nisso.
Mas também não terão nenhum sucesso.
Não haverá país dividido, na segunda-feira, senão entre aqueles que aceitam e respeitam a vontade popular e os que acham que o povo deve ser escravo de sua vontade.
Bem diverso do que sente o nosso povo, que quer apenas  o direito de viver e uma chance de progredir.
Ontem, ouvi de uma mulher simples que os ricos continuam ganhando muito dinheiro, mas que não aceitam que o pobre possa também ganhar algum, um pouco mais que antes.
Não estamos fazendo uma revolução, estamos abrindo mais uma porteira numa longa caminhada.
Que exige de nós que não paremos nunca.
A batalha recomeçará na segunda-feira, pior do que até agora.
Não será apenas eleger o governo do povo.
Será defender o governo do povo, que será alvo desta fúria desde o primeiro minuto de seu primeiro dia.
Agora, porém, creiam, já não apático e inerme como antes.

Do Blog TIJOLAÇO.

“Denúncia” da Veja: cúmplice de bandido bandido é


Publicado em 25/10/2014

“Denúncia” da Veja: cúmplice
de bandido bandido é

Brito desmonta o Golpe que a Dilma aplicou no Itaúúú do Aecioporto.

O Conversa Afiada reproduz artigo de Fernando Brito, extraído do Tijolaço:


Porque a história do doleiro é uma ofensa a qualquer inteligência

Se no Brasil se fizesse jornalismo e não campanha eleitoral nos jornais, a história do doleiro Alberto Youssef esbarraria num “pequeno” problema, sem o qual mesmo como “denúncia”, o que ele teria dito – se é que disse –  não deveria ser publicado, porque falta um elemento essencial.


É simples, mas indispensável a que qualquer pessoa medianamente inteligente dê um grama de crédito e continue a ouvir o que se diz.


Mas tão obvio que, sem qualquer parcialidade política e de forma apenas cartesiana a história fica frágil como uma fofoca.


Como é que um bandido de terceira categoria, recém-saído (2004) da cadeia, operando numa cidade do interior do Paraná, que não tem contatos pessoais nem com Lula nem com Dilma Rousseff afirma, como diz a Veja, que “eles sabiam”?


É a pergunta óbvia que os promotores e policiais que se apressaram a dar a “bomba” à Veja fariam, é obvio.


E o que qualquer jornalista digno de um mínimo de profissionalismo lhes perguntaria.


Imaginemos, então, que, perguntado, Youssef tivesse dito que o ex-diretor da Petrobras Paulo Costa, lhe contara.


Então, já temos “Youssef diz que Paulo Roberto disse que Lula e Dilma sabiam”


Como Paulo Roberto Costa não era, nem mesmo ele alega isso, pessoa dos círculos de intimidade de Lula e Dilma, mesmo que não tenha dado uma simples “garganteada” sobre seu poder, para isso seria preciso que alguém lhe tivesse dito.


Digamos, um ministro, um senador ou um deputado.


E a notícia já seria “Youssef diz que Paulo Roberto Costa disse que um deputado ou o Ministro X disseram que Lula e Dilma sabiam”


Isso, claro, sem contar que o deputado, o senador ou o Ministro não estivessem invocando os nomes dos presidentes para dar cobertura à falcatrua que negociavam.


Elementos para comprovar ou dar um mínimo de credibilidade a isso? Nenhum.


Ora, será que um policial, um promotor, um juiz poderia tomar esta informação como verdade sem mais nada a comprová-la?


Por que um jornalista o faria, então?


Mais, por que, isso sendo dito a três dias de uma eleição presidencial, um policial, um promotor, um juiz ou um jornalista não vai se questionar se a declaração – se é que existe – tenha sido dada com objetivos políticos, para colher gratidões de um resultado político-eleitoral que possa advir da acusação?


E aí, de novo apelando para o raciocínio mais simples e direto: apenas porque, por interesse e parcialidade política, torna-se cúmplice daquele que o próprio juiz do caso, Sérgio Moro, chamou de “bandido profissional”.

E cúmplice de bandido, bandido é.


Leia mais:

Azenha: bala de prata foi tiro no pé

Veja, Cachoeira e Policarpo. A folha corrida de terroristas


E vote na trepidante enquete do C Af:

Desespero da Veja: por que o jn amarelou?

Dilma 49 a 40, depois do Dilmabate !

Publicado em 25/10/2014
Aecioporto precisava ganhar de 7 a 1 e levou uma joelhada nas costas.

Sugestão de Jamil Damous, no Facebook do C Af

Depois das qualis que mostraram que ele perdeu, tracking do DataCaf confirma liderança da Dilma: 49 a 40.

Como diz o Azenha: o que era para ser uma bala de prata não passou de um tiro no pé.


Paulo Henrique Amorim

Do Conversa Afiada.

Dilma e sua coligação moverão 7 ações na justiça contra a revista Veja

Diante da capa mentirosa e caluniosa da revista Veja em sua edição antecipada dessa semana, o Partido dos Trabalhadores e a Coligação Com a Força do Povo moverão 7 processos contra a publicação nas esferas da Justiça Eleitoral, Criminal e Cível.

1) Junto ao TSE: pedido de direito de resposta, inclusive na revista Veja Online, por se tratar de reportagem mentirosa, caluniosa e difamatória.

2) Encaminha-se, ainda, uma representação para impedir qualquer publicidade desta edição da revista em rádio, TV e outdoor por configurar propaganda eleitoral negativa.

3) Ao Ministério Público Federal, será encaminhado um pedido de instauração de procedimento de investigação para apurar os abusos cometidos pela revista Veja com a intenção de prejudicar a candidatura de Dilma Rousseff e influenciar o resultado das eleições presidenciais de 2014.

4) Na esfera penal, será encaminhada uma representação criminal para a apuração de crime de difamação praticado pelo jornalista Robson Bonin – que assina a matéria que diz que Lula e Dilma sabiam do esquema de recebimento de propinas denunciado na Operação Lava Jato da Polícia Federal, baseada em denúncias não comprovadas do doleiro Alberto Youssef– contra o PT.

5 e 6) Também serão encaminhados dois pedidos de providências à Procuradoria Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal para que se apure uma possível quebra de sigilo da delação premiada de Alberto Youssef pela revista Veja, bem como pedido para que o PT possa ter acesso ao depoimento.

7) Na área cível, será encaminhada uma proposição de ação indenizatória pelo PT contra a revista Veja.

As ações são uma resposta rápida da legenda, dos partidos coligados, e da presidenta Dilma Rousseff às ações criminosas e sistemáticas da revista Veja que têm como objetivo desestabilizar e diminuir a credibilidade de um governo democraticamente eleitopelos brasileiros. Como disse a presidenta Dilma, “sou uma defensora intransigente da liberdade de imprensa, mas a consciência livre da nação não pode aceitar que mais uma vez se divulguem falsas denúncias no meio de um processo eleitoral em que o que está em jogo é o futuro do Brasil. Os brasileiros darão sua resposta à Veja e a seus cúmplices nas urnas e eu darei minha resposta na Justiça”. (Do MudaMais)


Do Blog POR UM NOVO BRASIL.

Se o TSE negar direito de resposta a Dilma, é golpe!



É com o coração dilacerado que eu, Eduardo Guimarães, paulista, paulistano, 54 anos, casado, blogueiro e comerciante”, pai de quatro filhos, avô de três netas, sem nunca ter tido ligação alguma com partidos, declaro-me enojado com o meu país.
Dilma Rousseff, 66 anos, presidente da República Federativa do Brasil, eleita em 2010 com mais de 55 milhões de votos, uma mulher de vida limpa, quem jamais foi acusada de nada, agora foi acusada pela revista Veja de ser mandante de um esquema criminoso.
Detalhe: essa acusação foi feita a 48 horas do segundo turno da eleição presidencial de 2014.
Não há provas nem de que o doleiro Youssef tenha feito a acusação, conforme relata Veja. Mesmo se tiver feito – e se o áudio disso vazar –, é crime divulgar porque a investigação corre sob segredo de Justiça.
Por que o segredo de Justiça? Porque o meliante pode estar mentindo em tudo ou em parte do que disse.
A ideia de Veja é usar essa suposta acusação na reta final da eleição para ajudar seu candidato, quem, até a noite de quinta-feira, estava em considerável desvantagem nas pesquisas.
Ou seja: divulgar isso, assim, é um crime eleitoral.
Por que? Suponhamos que tudo que o doleiro possa ter dito seja verdade. Passada a eleição, instaura-se o processo, prova-se a culpa de Dilma e de Lula e ela perde o cargo.
Não haveria mal irreparável nenhum se ela se reelegesse sendo culpada. Sabem por que a pressa? Porque, depois, não vai dar para provar nada. A denúncia é só para influir na eleição.
Eu sei disso.
Veja sabe disso.
Você que está lendo, seja quem for seu candidato, sabe disso.
Quem tem decência de admitir, é outra coisa.
Então, se o Tribunal Superior Eleitoral permitir que essa farsa siga adiante, se nem ao menos der a Dilma direito de resposta no sábado, em rede nacional para compensá-la pelo prejuízo de acusação sem provas, será golpe. E golpe do TSE.
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Do Blog da Cidadania

Urgente! Fonte Legítima informa que Dilma venceu o debate da TV Globo e já está com 65% dos votos válidos. A onda cresce para um "BRASIL MELHOR PARA TODOS".

Aécio foi nocauteado pelo seu próprio sorrisinho de 171 #SomosTodosDilma

Agora que o último debate acabou posso dizer uma coisa que já tinha reparado nos outros debates. Só não disse antes para não "dar consultoria" aos tucanos.

Por mais que Aécio Neves (PSDB) tenha feito treinamento de mídia, a postura facial dele não convence. Nem nos momentos em que ele consegue responder bem. Fica com cara daqueles 171 querendo te enganar, vocês repararam?

Você confiaria no diagnóstico de um médico, se atendesse com aquele sorriso esquisitão do Aécio?

Você compraria um carro usado, se o vendedor viesse com aquele sorriso malandro do Aécio? De Dilma, as pessoas comprariam. Ela parece ser o que é, transparece mais sinceridade, mais autenticidade, mais honestidade.

Aécio coloca um sorriso padrão no canto da boca em respostas sérias que não pega bem.

Ele critica coisas sérias com aquele sorriso que passa ar de deboche. Parece que ele está zombando dos problemas e não propondo soluções.

Mas o pior é que Aécio sempre parece estar mentindo, quando responde qualquer coisa com o mesmo sorriso plastificado.

Só isso já deu vitória à Dilma, que evitou elevar o tom do debate, pois envolveria maior risco para ela que está na frente. No tom imposto por Dilma, ela venceu fácil, mesmo sem precisar ter um grande desempenho.

Aécio já começou mal na primeira pergunta, sobre a denúncia da Veja. Dilma disse: "a revista fez uma calúnia e difamação e o senhor ainda endossa na pergunta. Essa revista tem o hábito de tentar dar um golpe eleitoral na reta final das campanhas. Não é a primeira vez. Teve em 2002, 2006 e 2010. O povo não é bobo, candidato. O povo sabe que revista está manipulando, porque não apresenta nenhuma prova (...) Acredito que a partir de segunda-feira vão desaparecer com essa acusação. Agora eu não vou deixar que ela desapareça. Eu vou investigar os corruptos e os corruptores e os motivos pelos quais isso chegou a este ponto". Dilma, no mínimo, neutralizou o ataque.

Em seguida Dilma passou a dominar o debate. Perguntou sobre o sucesso na geração de empregos e perguntou sobre o Armínio Fraga ter dito que o salário mínimo estava muito alto. Aécio errou feio, ao não tentar pelo menos corrigir a declaração de Armínio. Disse que Armínio não estava ali para explicar e começou a falar economês e atacar o governo, em vez de falar de emprego e salário.

Aécio perdeu votos dos paulistas

... ao querer colocar a culpa da falta d'água em São Paulo em Dilma. O eleitor não gosta deste jogo de empurra. Todo mundo em São Paulo sabe que paga conta d'água para Sabesp e que é estadual. Ficaria menos feio para Aécio, e perderia menos votos, se fizesse como Alckmin e colocasse a culpa em São Pedro.


Perdeu votos udenistas

Ao querer debater corrupção, e principalmente mensalão, Aécio deu um tiro no pé. Dilma falou da impunidade tucana e principalmente do mensalão tucano. Para eleitores racionais, Dilma venceu. Para o eleitor reacionário e udenista, nivelou por baixo os dois. Aécio perdeu alguns destes eleitores.

Perdeu votos das mulheres

Teve hora que Aécio se empolgou, soltou a franga e ficou agressivo, acima do tom. Perdeu votos principalmente das mulheres.

Perdeu votos dos mineiros

... ao querer colocar culpa da segurança pública no governo federal, sendo que a maior atribuição é dos estados, afinal todo mundo sabe que presidente da República não nomeia nem demite secretário de segurança. Como ele foi governador de Minas 8 anos e a segurança piorou, nenhum mineiro acredita que ele melhoraria o problema sendo presidente. Moradores de outros estados que seguiram este raciocínio também não votarão no tucano.

Perdeu votos de indecisos que tem memória

Ao se ver toda hora ligado a FHC, ao implorar para o eleitor esquecer o passado que o condena, Aécio perdeu votos de indecisos.

Perdeu votos de aposentados

Dilma lembrou ao distinto público que Aécio foi líder do PSDB que votou pela criação do fator previdenciário. Ali ele perdeu votos entre os aposentados.

Perdeu votos de quem está com raiva de políticos

Dilma disse que Aécio, quando deputado, foi líder do governo FHC. Aécio quis corrigi-la dizendo que foi líder do PSDB e não do governo (como se isso fizesse grande diferença). E ainda tentou ironizar dizendo que Dilma não conhecia as atividades legislativas. Os políticos tucanos na platéia aplaudiram, mas ele perdeu votos entre o povo que está com raiva deste tipo de político oligarca que Aécio é.

Perdeu votos de opinião sobre reforma política

Aécio mostrou desconhecer a proposta de reforma política da OAB e da CNBB que propõe eleições parlamentares em dois turnos. Para quem é senador, tem que ser muito indolente para não conhecer essa proposta.

Perdeu votos ao falar de drogas e segurança pública.

Aécio perdeu votos ao jogar a culpa das drogas só nas fronteiras. Nem os EUA, nem a Europa consegue fechar suas fronteiras às drogas e o tráfico existe nas cidades. A redução da criminalidade relacionada à drogas passa pela integração das polícias em operações nacionais como Dilma fez na Copa e depois nos Estados do Nordeste, mas é um problema bem mais amplo, que vai desde a educação até o tratamento. Experiências como o prgrama de "Braços Abertos" do prefeito Fernando Haddad na antiga cracolândia trouxe excelentes resultados, bem melhores do que a simples repressão policial.

A própria motivação de jovens com oportunidades de mais estudo, trabalho, de cultura, de esportes ajuda muito a evitar caírem no tráfico.

Dilma não quis polemizar, mas se quisesse poderia comparar o sucesso dos números das operações Sentinela e Ágata de controle das fronteiras, feitas pelas Polícias Federal e Rodoviária e pelas Forças Armadas. Se não me engano a quantidade drogas apreendidas equivale a uns 700 helicópteros dos Perrella.

Nas considerações finais, Aécio jogou a toalha


Desastrosa as considerações finais de Aécio. Eis algumas frases, com meus comentários entre parenteses:

Eu chego ao final desta campanha de pé... (ué, deveria chegar diferente?)
(...)
Eu sou hoje já um vitorioso. Porque como disse São Paulo eu travei o bom conflit... (aí Aécio se corrigiu) combate, falei a verdade e jamais perdi a minha fé.

O tom desta última frase foi de quem está justificando a derrota.


Em tempo: os vídeos do debate estão no G1.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

ADVOGADO DE DOLEIRO: VEJA MENTIU SOBRE LULA E DILMA!


Brasil 247 - O advogado Antonio Figueiredo Basto, que comanda a defesa do doleiro Alberto Youssef, afirma que desconhece o depoimento de seu cliente que ancora a capa de Veja, publicada ontem, em edição extra; “Eu nunca ouvi nada que confirmasse isso (que Lula e Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobras). Não conheço esse depoimento, não conheço o teor dele. Estou surpreso”, afirmou; "Estamos perplexos e desconhecemos o que está acontecendo"; tentativa de golpe contra a democracia é manobra da revista conduzida pelo jornalista Eurípedes Alcântara e pelo executivo Fábio Barbosa, que comanda a Abril, no lugar dos Civita; jornalismo brasileiro atinge seu momento mais torpe. (...)

CLIQUE AQUI para ler mais (via Brasil 247)

Testemunha ocular: Como funciona a “venda casada” entre a revista Veja e o Jornal Nacional

Eleições presidenciais de 2006: Primeiro turno em 01/10 e segundo turno em 29/10; Lula vs. Geraldo Alckmin*
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Eleições presidenciais de 2010: Primeiro turno em 03/10 e segundo turno em 31/10; Dilma vs. Serra

Em 2006 eu era repórter da TV Globo de São Paulo. Foi a primeira cobertura de eleição presidencial de minha carreira. Minha tarefa nas semanas finais da campanha foi a de acompanhar o candidato tucano Geraldo Alckmin. De volta à redação paulista da emissora, ouvia reclamações de colegas sobre a cobertura desigual. As reclamações partiam de uma dúzia de colegas, alguns dos quais continuam na Globo.

Explico: a Globo havia destinado todos os recursos e os melhores repórteres e produtores investigativos para levantar tudo que se relacionasse ao mensalão petista ao longo de 2005.

Numa ocasião, num plantão de fim de semana, fui deslocado para São Bernardo do Campo para fazer a repercussão de uma denúncia de Veja:

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Não consegui encontrar Vavá, o irmão de Lula, na casa dele.

Quando voltei à redação, disse ao chefe do plantão que achava estranho repercutir acriticamente uma reportagem de outra empresa sem que nós, da Globo, fizessemos uma checagem independente do conteúdo. E se as denúncias se provassem falsas?

A resposta: era pedido do Rio e deveríamos simplesmente reproduzir trechos do texto da revista no Jornal Nacional.

Percebi pessoalmente, então, como funcionava o esquema: a Veja apresentava as denúncias, o Jornal Nacional repercutia e os jornalões entravam no caso no fim-de-semana. Era uma forma de colocar a bola para rolar. Depois, se ficasse demonstrado que as denúncias não tinham cabimento, o estrago estava feito. Quando muito, saia uma notinha aqui ou ali. Nunca, obviamente, no Jornal Nacional ou com o mesmo alcance.

Em 2006, portanto, o desconforto de colegas tinha antecedentes. O primeiro deles a se manifestar na redação foi Marco Aurélio Mello, editor de economia do JN. São Paulo sempre foi a principal praça para a cobertura econômica, por motivos óbvios. Naquele período, os índices econômicos batiam recordes, especialmente na construção civil. O consumo bombava. Era comum fazer reportagens a respeito. Segundo Aurélio, repentinamente ele recebeu orientação para “tirar o pé” desse tipo de reportagem, que poderia beneficiar a reeleição de Lula.

Quando o repórter Carlos Dornelles, em uma palestra no Sul, disse que não apenas o mensalão, mas também os barões da mídia deveriam ser investigados, foi imediatamente colocado na geladeira, de onde saiu para o Globo Rural.

Num comentário para o Jornal da Globo, Arnaldo Jabor comparou o presidente e candidato Lula ao então ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-il.

De repente, o comentarista de política Alexandre Garcia passou a fazer aparições no programa de Ana Maria Braga.

Na cobertura do dia dos candidatos, com 90 segundos para cada, em geral eram três contra um. As denúncias do noticiário eram repercutidas com Alckmin, Heloisa Helena e Cristovam Buarque: 270 segundos. Lula tinha 90 segundos para se defender.

A situação chegou a tal ponto que os colegas decidiram protestar formalmente, numa reunião com o diretor regional da Globo.

Para colocar panos quentes ficou decidido que, sim, a Globo também investigaria os tucanos. A base era a capa de uma revista IstoÉ que trazia detalhes que poderiam ser comprometedores para o então candidato a governador de São Paulo, o ex-ministro da Saúde José Serra. Era sobre o envolvimento dele com a Máfia das Ambulâncias superfaturadas, que até então era atribuída completamente ao PT.

Porém, no caso da IstoÉ, a Globo não fez a repercussão acrítica que fazia da Veja.

Como eu não estava presente na reunião, acabei escalado para tratar do assunto, de forma independente. Porém, não nos foram dados recursos para investigar. A produtora Cecília Negrão, hoje no Sindicato dos Bancários, teve de se virar por telefone. Nem uma viagem até Piracicaba foi autorizada. Era a cidade de Barjas Negri, ex-prefeito, homem que havia substituído Serra no Ministério da Saúde quando ele se licenciou para sair candidato ao Planalto em 2002.

Ainda assim, conseguimos algumas informações importantes: de fato, a máfia das ambulâncias que havia atuado no Ministério da Saúde de Lula era herança do que a Globo chamava, quando era de seu interesse, de “governo anterior”. Governo de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. Confirmamos também que das 891 ambulâncias superfaturadas negociadas pela máfia, 70% tinham sido entregues antes de Lula assumir! Esse era o dado crucial. A reportagem nunca foi ao ar, mas por sorte eu escrevi o texto em um bloquinho de anotações e pude rememorar o caso aqui.

Naquela temporada eleitoral também aconteceu o caso dos aloprados, os petistas que supostamente tentaram comprar um dossiê contra o candidato Serra. As fotos do dinheiro apreendido com eles, coincidentemente, vazaram para a mídia na antevéspera do primeiro turno. Contei este caso mais recentemente aqui. Nunca vou me esquecer de um colega, diante do prédio da Polícia Federal em São Paulo, ligando para o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para alertá-lo que a Globo estava disposta a levar a eleição para o segundo turno a qualquer custo.

De tudo o que vivi naquele 2006, no entanto, o mais marcante foi a descoberta in loco, não como observador externo, mas como testemunha ocular, da “venda casada” entre a revista Veja e o Jornal Nacional. Ela se repetiu em 2010 e já aconteceu em 2014. Hoje, dia do debate entre Dilma Rousseff e Aécio Neves na emissora, teremos ocasião de ver se a parceria está em pleno vigor. Vamos ver quantos minutos o JN dedicará à capa da Veja horas antes do debate final que antecede o segundo turno. Façam suas apostas.

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo